quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

A UM AUSENTE



A UM AUSENTE
Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

quem é palhaço?

Cortar o tempo
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

vai  mesmo?

terça-feira, 22 de janeiro de 2013



"Mudem dos 18 para os 30, mudem dos 30 para os 50, mudem, porque desconfiado a gente tem que ficar de quem não muda jamais. São tantas as informações e vivências que absorvemos durante uma única vida que é impossível que elas não nos façam refletir e alterar nossa rota.
Infeliz de quem passa a vida toda sendo fiel ao que os outros pensam a seu respeito."

[Martha Medeiros]

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Tenho frases guardadas que fiquei de dizer quando houvesse sentido. ad.

“Pequenos desejos, vagarosas saudades, silenciosas lembranças.”
[Cecília Meireles]
"Porque sei que tudo não passa de um momento...
Aprendi a viver cada instante, como se ele fosse meu maior presente."
(Sirlei L. Passolongo)
.♥

...ao vento

“Fechei os olhos e pedi um favor ao vento:
 Leve tudo que for desnecessário.
 Ando cansada de bagagens pesadas.
 Daqui para frente apenas o que couber no bolso e no coração.”
  [Cora Coralina]

 

Retrato

Eu não tinha este rosto hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem lábio amargo
Eu não tinha estas mãos sem forças,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
A minha face?
Cecília Meireles

vida...

 
“Se eu gosto de poesia? 
Gosto de gente, bichos, plantas, lugares, chocolate, vinho, papos amenos, amizade, amor. 
Acho que a poesia está contida nisso tudo.”
 [Carlos Drummond de Andrade]

Canção excêntrica

Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço
- saudosa do que não faço,
- do que faço, arrependida.
Cecília Meireles
 

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

Ao chegar sonhe comigo. Music the forgotten

Não me traga dores,

tenho as minhas de estimação.

Ao chegar, junte seus sonhos aos meus.

Assim, teremos a sensação de estar libertos.

Assim, abrirei minha porta.

Aliás, meus sonhos

são portas e janelas escancaradas.


[Soninha Porto]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

"Nem tudo o que escrevo resulta numa realização,
resulta mais numa tentativa.
O que também é um prazer.
Pois nem em tudo eu quero pegar.
Ás vezes quero apenas tocar.
Depois o que toco floresce e os outros
podem pegar com as duas mãos".

Clarice Lispector
Ato último

este silêncio
em teu não absoluto
eu devolvo

este mundo
que é teu tributo
(não é para mim)
devolvo

esta vida
(levará lágrimas)
devolvo sim
minuto a minuto

[Marcos Pizano]

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

vl.
 
"Quero contar-te em segredos os pecados dos quais não recebi punição, e aos gritos anunciar ao mundo pelos quais obtive perdão... 
Em silêncio te peço amor, um trago...
 A garganta amarga a tua ausência e emudece minha voz em ecos, tomo mais um gole de atitude e me tranco em sua permanência neste peito ardendo de saudades, dessa minha eterna confidente...". 
 [Marco A. Alvarenga]

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

...e por falar em amor : nEle a gente pode e deve confiar sempre !  rsss...
vl.